This option will reset the home page of Áudio nas Igrejas restoring closed widgets and categories.

Reset Áudio nas Igrejas homepage

Socorro! O som está muito alto

 

Em muitas ocasiões, quando participamos de cultos nas nossas igrejas, ouvimos os irmãos dizerem o seguinte: “O som está muito alto!”. Não quero aqui discutir as razões pelas quais os níveis de intensidade sonora que adotamos em nossas reuniões são tão altos porque creio que já os conhecemos muito bem. Minha intenção em trazer esse assunto à baila é mostrar a você os prejuízos que essa prática tem trazido à nossa saúde e aos nossos relacionamentos.

O problema que envolve os altos níveis de pressão sonora (conhecido como volume), que a partir de agora chamarei de “SPL”, precisa ser analisada por dois pontos de vista: interno e externo. O ponto de vista interno está relacionado à saúde auditiva do povo que assiste em nossos templos enquanto o ponto de vista externo está ligado ao incômodo que levamos aos vizinhos de nossas igrejas. Vamos tratar das duas abordagens individualmente.

 

Altos SPL no interior dos templos

Já ouvi algumas pessoas dizendo que “se o barulho que é produzido dentro dos templos não incomodar aos vizinhos, não importa o que fazemos ali”. Devo discordar veementemente dessa postura. Nós, os operadores e técnicos de som, somos responsáveis pela saúde auditiva das pessoas que freqüentam nossas igrejas.

Há inúmeros estudos científicos que comprovam os prejuízos à saúde causados por exposição continuada a altos SPL. Um desses prejuízos é a Perda Auditiva Induzida por Ruído, conhecida como PAIR, que é irreversível.

A PAIR manifesta-se, primeiramente, com a perda de sensibilidade para as freqüências de 3, 4 e 6 kHz, região onde está concentrada a inteligibilidade da fala. Perdas auditivas nessa faixa de freqüência certamente causarão prejuízos à comunicação. À medida que a PAIR se aprofunda, perdas nas freqüências de 500 Hz, 1, 2 e 8 kHz são percebidas.

A submissão contínua a altos níveis de ruído tem reflexos em todo organismo e não somente no aparelho auditivo. Ruídos intensos e permanentes podem causar vários distúrbios, alterando significativamente o humor e a capacidade de concentração (efeitos psicológicos), além de provocar interferências no metabolismo de todo o corpo (efeitos fisiológicos). Observe, na Tabela 1, alguns desses efeitos.

 

Efeitos Psicológicos Efeitos Fisiológicos
Perda de concentração Perda auditiva até a surdez permanente
Perda dos reflexos Dores de cabeça
Irritação permanente Fadiga
Insegurança quanto à eficiência de seus atos Loucura
Embaraço nas conversações Distúrbios cardiovasculares
Perda da inteligibilidade das palavras Distúrbios hormonais
Impotência sexual Gastrite
Disfunção digestiva
Alergias
Aumento da freqüência cardíaca
Contração dos vasos sangüíneos

Tabela 1 – Efeitos Psicológicos e Fisiológicos da Exposição a Altos SPL

 

Esses efeitos causam também a dispersão dos ouvintes que, incomodados com a aspereza da sonorização, afastam-se da adoração genuína e da compreensão da Palavra pregada.

Outros estudos estabeleceram os limites diários para exposição a altos níveis de ruído, conforme demonstrados na Tabela 2.

 

Nível de Ruído em dB(A) Tempo de Exposição Diária
85 8 horas
90 4 horas
95 2 horas
100 1 hora
105 30 minutos
110 15 minutos
115 7 minutos

Tabela 2 – Limites para Exposição Diária a Altos SPL

 

Sempre que possível, devemos usar protetores auditivos quando expostos a SPL acima de 85 dB(A) e evitar exposições a valores acima de 100 dB(A). Para que você tenha uma idéia ao que estamos submetendo nossos irmãos, observei por meio de medições utilizando um decibelímetro (medidor de intensidade sonora), que na maioria de nossas igrejas são atingidos SPL entre 95 e 110 dB(A) durante os momentos de louvor.

Altos SPL no exterior dos templos

Outra preocupação que devemos ter, e não menos importante, é com o bem-estar dos vizinhos das nossas igrejas. Em muitos casos, eles são afastados da Palavra pelo mau comportamento que adotamos ao utilizar volumes extremamente altos em nossas programações, ignorando o incômodo que lhes causamos.

Havia uma determinada igreja vizinha à minha casa que não sabia por que razão as pessoas que moravam em seu entorno não freqüentavam suas programações. Certa vez eu estava em meu quarto preparando uma aula quando o culto naquela igreja começou. O barulho era tanto que resolvi realizar uma medição com meu decibelímetro. Para minha surpresa medi, dentro do meu quarto, 105 dB(A). Gostaria de ressaltar que minha casa ficava do outro lado da rua (distante cerca de 20 metros) e a parede da igreja que estava de frente para mim não possuía janelas. Agora imagine: se dentro da minha casa, do outro lado da rua, o nível de barulho atingiu 105 dB(A), qual não era seu valor no interior do salão?

Esse exemplo serve para demonstrar como o barulho pode afastar aqueles que queremos alcançar. “Bom…”, você me dirá: “Paulo incomodava as pessoas por onde passava. Importa que obedeçamos a Deus e não aos homens”. Muito bem, o texto bíblico em Atos 16:20 realmente afirma isso, mas nesse caso, o que incomodava não era o barulho, mas a Palavra de Deus. Quando a Palavra incomoda, as pessoas são atraídas; quando é o barulho que incomoda, elas se afastam.

A maioria das cidades tem legislação que disciplina o controle de emissão de ruídos. Aquelas que não possuem esse tipo de lei específica se apóiam em legislação federal que trata do assunto. Há uma resolução do Conselho Nacional de Meio Ambiente (Conama), Resolução nº 01/98, que determina a utilização, como referência, das normas da ABNT 10.151 e 10.152 para a elaboração de leis de controle de ruídos.

Procure conhecer essas leis e normas. As leis, em geral, estão disponíveis para download nos sites de Internet das prefeituras e as normas da ABNT podem ser adquiridas diretamente naquele órgão. Faz parte de sua função, como responsável pela sonorização de sua igreja, conhecer as leis que regem sua atividade para que, dessa forma, você possa demonstrar respeito e interesse pelo bem-estar dos seus vizinhos.

 

Para terminar…

… gostaria que você analisasse bem essas informações e tomasse atitudes construtivas em relação a esses problemas. Há profissionais que podem ajudar na medição dos SPL praticados por sua igreja dentro e fora de suas paredes. Procure-os para melhorar as condições de conforto daqueles que freqüentam seus cultos e não incomodar aqueles que residem próximo a vocês. Independentemente disso, você certamente pode baixar um pouco mais o nível de SPL atirado sobre seus ouvintes e vizinhos.

Abraços silenciosos.

 

David Fernandes
Tecnólogo de Telecomunicações
Membro da Audio Engineering Society (AES)
Membro da Associação Brasileira de Profissionais de Áudio (ABPÁudio)
audiocon.mail@uol.com.br

17 Comentários

  1. ROSIMARIO says:

    gostei muito,vou ter uma com versa seria com os responsáveis pelo som da minha Igreja,p/buscarmos soluções para tal problema ,Deus abencoi esse ministerio tão importante ,na igreja

  2. Felipe Tarkany says:

    Muito Legal o artigo.
    Lá na igreja temos um som deficiente em alguns aspectos e, na maioria das vezes, o pessoal justifica o som alto nisso, porém, acredito que é melhor errarmos com o som baixo do que errarmos com o som alto (até resolvermos esse problema).
    Abraço

  3. Inaldo Junior says:

    Ótimo o artigo!

    Realmente como comentou o Felipe, justifica-se muita das vezes o som alto pela deficiência do hardware e software sonoro, mas a prioridade é a saúde dos ouvintes e depois a estética, isto é, o critério primordial é não expor os ouvintes a intensidades fortes e fortíssimas, depois pode-se ver a qualidade estética do som! Como vc disse felipe: É melhor errarmos com o som baixo do que errarmos com o som alto!

    Abraços e que Deus nos capacite como profissionais sonoplastas!

  4. Jedson Silva says:

    Ótimo seu Artigo!

    Estou aprendendo muito com este ministerio de Som.. Deus abençoe a todos.

    Abraço

  5. Cláudio Juliano Doná says:

    Inteligente e oportuno este artigo. Ja presenciei cultos em que havia duas caixas de som enormes para uma igreja de 20 m2, um absurdo! Devemos nos conscientizar de que quem convence as pessoas é o Espírito Santo e não nossa gritaria ou entusiasmo… Fui tecnico de som por 15 anos em uma grande igreja e sei bem como sofremos pela falta de equipamento de som adequado e de conhecimento técnico da maioria dos operadores de som… mas isto esta mudando, Graças a Deus!!!

  6. sou operador de audio na minha igreja e gostei muito deste post nesse site eu aprendo varias coisas que até pouco tempo não sabia muito bom 

  7. Dilson Pereira Adriano says:

    Mto Bom artigo Irmão!

    Temos um som razoavel em nossa Igreja(2ª IEQ de Sombrio-SC).
    Sou operador de som e meu maior problema é com os musicos, que estão sempre querendo um retorno mais alto, as vezes tenho um retorno mais alto que o PA, para não agredir os ouvintes, mas acaba comprometendo a qualidade final. Um abraço Irmão DEUS o abençoe!

  8. fernando says:

    Otimo artigo, não sou crente, nem evangélico, cai aqui de paraquedas atrás das apostilas de som, mas tive que ler a matéria e gostei muito, sempre fui contra ao som altissimo emitidos nas igrejas evangelicas e como se não bastasse os pastores adoram pregar em voz altissima e com gritos…Isso realmente me afastou muito da cultura de voces, acho otimo voce ser de dentro desse grupo e conseguir enxergar isso, vai ajudar muito vocês. Abraços

  9. Eder Santana says:

    Ha algum tempo esses baraulhos altos na minha igreja vem mi encomodando, resolvi asim fazer um curso de audio para amenizar o problema, e com esse artigo ficou muito mais claro para mim oq fazer Pois Deus envia solucionadores de problemas como vcs sempre que precisamos, e quando o assunto fica sério e sem solução, Deus abençoe o ministério de voçês.

  10. Odenir says:

    Gostaria de parabenizar o Sr. David Fernandes pela forma como trata deste sério assunto. Tenho 30 anos de igreja e jamais vi nem ouvi um comentário tão completo, além de correto e altamente profissional, trata–se também de uma mensagem profundamente espiritual dirijida às igrejas.

  11. Odenir Pereira da Silva says:

    É impressionante como voce conseguiu sintetizar nesta sua matéria tantos fundamentos, parabéns, isto é um dom de Deus! Gostaria de conotar esta sábia fraze do primeiro parágrafo que cita sobre “os prejuízos que essa prática tem trazido à nossa saúde e aos nossos relacionamentos”.

  12. Samuel Santana says:

    É um assunto delicado, mas o entendimento é racional e o conhecimento nos ajuda a solucionar problemas, parabéns pelo artigo. O SPL excessivo, além de causar problemas auditivos é um agressor aos nossos vizinhos. Devemos sempre aperfeiçoar a qualidade de audio nos nossos templos, buscar o equilibrio e não esquecer da “fórmula”: – é +.

  13. Ezequiel A. Cordeiro says:

    Um dos grandes erros cometidos pelos pentecostais é pensar que ser pentecostal é ser barulhento. Existe até um Jargão muito usado por pastores pentecostais que é “O crente que não faz barulho tá com defeito de fabricação. Conheço um pastor que pertenceu a uma igreja pentecostal daquelas que faz muito barulho, e como ele forçava muito sua voz, ele acabou ficando roco, foi ao médico e nunca mais sua voz voltou ao normal. Também ouvi de médico que trata de problemas auditivo que ele recebe muitos pastores com problemas na voz. Eu sou pentecostal. e não sou barulhento, a Igreja Primitiva não era conhecida pelo barulho que faziam e sim pelo bom testemunho, pela caridade e principalmente pela transformação de vida.

  14. Felipe says:

    Gostei muito deste artigo, estou procurando há um tempo um lugar que me ofereça esse conhecimento que estão me oferecendo, tanto na parte profissional de minha vida quando na parte ministerial. Obrigadão. Abraços.

  15. Heleno Massoud says:

    Que bom, este mês de outubro/2013  tive um curso básico  sobre sonorização nas igrejas. Isto me chamou muita atenção, porque na minha Paróquia  o Pe. sempre me chama para eu ligar o som do salão, pensa ele que eu entendo do negócio, mas eu sempre levava  na mãnha  o dom que Deus me deu. Um forte abração  

  16. antonio donizeti says:

    Gostei vou por em pratica pois tambem tenho este plobrema, em minha igreja 

  17. A música deve ser usada inteligentemente

    Ivone Boechat

    O cérebro humano está cansado e agredido pelo excesso de informações. A tv se encarregou de saturar, incessantemente, com sons irritantes; nas ruas, os motoristas buzinam estridentemente, e aceleram forte, produzindo barulho excessivo; os ruídos internos empurram o ser humano para o universo interior das cobranças sociais, e assim estressado pelo trabalho, ele se dirige aos templos para buscar a Palavra, a quietude, a reflexão. Quem não gostaria de orar silenciosamente ao entrar no santuário, ao som de uma musica suave? Quem não gostaria de ouvir um coral, ou cantar com a congregação um hino inspirativo, sem necessidade de tentar superar o barulho do que mais parece um “trio elétrico” de 90 decibéis, prejudicando a audição e a saúde?

    Ainda há tempo de reverter o horror que se instalou em templos durante o culto. Autoridades especializadas no estudo dos efeitos do som indicam que ruídos em níveis elevados alteram o comportamento humano e não preparam o cérebro para ouvir a mensagem, pelo contrário, interferem na química cerebral, que fica muito alterada. Com toda essa adrenalina a pessoa torna-se incapaz de gravar a mensagem. Sai cansada.

Deixe seu Comentário